A mensagem de Waggoner e Jones

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como Atender ao "Dai-Lhe Glória" -- Parte 1


Sermão nº 20 apresentado na
reunião da Conferência Geral de 1895
A.T. Jones
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O Sacrifício Eterno, O Eterno Propósito
Como Atender ao "Dai-Lhe Glória"  -- Parte 1
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            Em João 17:4 a primeira cláusula do verso retrata as palavras de CRISTO naquela oração por nós todos: "Eu Te glorifiquei na Terra". Na lição anterior fomos levados a considerar o propósito de DEUS com respeito ao homem, inclusive o Seu propósito eterno e que esse propósito se cumpre perante todo o universo em JESUS CRISTO na forma de carne humana. O propósito da existência do homem é glorificar a DEUS, e isso tem sido demonstrado perante o universo em JESUS CRISTO, pois o eterno propósito de DEUS concernente ao homem foi proposto em CRISTO e levado avante em CRISTO por todo homem, desde que o homem pecou, e Ele diz: "Eu Te glorifiquei na Terra". Isso revela que o propósito de DEUS na criação é que o homem O glorifique. E o que estudaremos esta noite é como devemos glorificar a DEUS, como DEUS é glorificado no homem, e o que representa glorificar a DEUS.
            Quando estudamos a CRISTO e vemos o que Ele fez e o que DEUS fez Nele, sabemos o que é glorificar a DEUS. E Nele descobrimos qual é o propósito de nossa criação, qual é o propósito de nossa existência, e, de fato, qual é o propósito da criação e existência de cada criatura inteligente no universo.
            Vimos em lições precedentes que DEUS somente foi manifestado em CRISTO no mundo. O próprio CRISTO não Se manifestou; Ele foi esvaziado e tornou-se nós próprios do lado humano, e então DEUS, e DEUS somente, manifestou-Se Nele. Então, o que significa glorificar a DEUS? É estar no lugar onde DEUS e DEUS somente será manifestado no indivíduo. Este é o propósito da criação e da existência de cada anjo e de cada homem.
            Glorificar a DEUS é necessário para cada um estar na condição e na posição em que ninguém, senão DEUS, será manifestado, porque essa foi a posição de JESUS CRISTO. Assim, disse Ele: "As palavras que Eu vos digo não as digo por Mim mesmo" (João 14:10). "Eu desci do céu, não para fazer a Minha própria vontade; e, sim, a vontade Daquele que Me enviou". "O PAI que permanece em Mim, faz as Suas obras". (João 14:10). "Eu nada posso fazer de Mim mesmo" (João 5:30). "Ninguém pode vir a Mim se o PAI que Me enviou não o trouxer" (João 6:44). "Quem Me vê a Mim, vê o PAI: como dizes tu: Mostra-nos o PAI?" (João 14:9). "Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro e Nele não há injustiça". (João 7:18).
            Portanto, Ele disse: "As palavras que Eu vos digo não as digo de Mim mesmo" porque como no outro versículo, aquele que fala de si mesmo, ou seja, a partir de si próprio, busca a sua própria glória. Mas CRISTO não estava em busca de Sua própria glória. Ele estava buscando a glória Daquele que O enviou; destarte, declarou:  "As palavras que Eu vos digo não as digo de Mim mesmo". Ao fazê-lo, Ele buscava a glória Daquele que O en­viou, e consta o registro de que "esse é verdadeiro e Nele não há injustiça". Ele estava tão inteiramente despido de Si mesmo, tão inteiramente distante estava de ser manifestado em qualquer medida, que nenhuma influência derivava Dele, exceto a influência do PAI. Isso se dava em tal extensão que nenhum homem podia ir até Ele, exce­to se o PAI a Ele remetesse alguém. Isso revela quão completamente Ele próprio foi mantido numa posição secun­dária, quão completamente esvaziou-Se. Assim foi feito tão completamente que nenhum homem podia ir a Ele--nenhum homem podia sentir qualquer influência Dele ou a Ele ser atraído, exceto a partir do próprio PAI. A manifestação do PAI--isso poderia atrair qualquer homem a CRISTO.
            Isso apenas ilustra que o grande fato que estamos estudando exatamente agora--o que significa glorificar a DEUS. É ser tão inteiramente esvaziado do eu que nada, senão DEUS, se manifestará e nenhuma influência deri­vará do indivíduo a não ser a influência de DEUS--tão esvaziado que tudo, toda palavra--tudo quanto é manifesto--será somente de DEUS e falará tão-só do PAI.
             "Eu Te glorifiquei na Terra". Quando Ele esteve sobre a Terra achava-Se em nossa carne humana, pe­caminosa, e quando Se esvaziou e Se manteve em posição secundária, o PAI Nele habitou e Se manifestou através Dele de tal modo que todas as obras da carne foram abafadas, e a glória excepcional de DEUS, o caráter de DEUS, a bondade de DEUS, foram manifestados em lugar de qualquer coisa do humano.
            Isso é o mesmo que vimos numa lição anterior, de que DEUS manifesto em carne, DEUS manifesto na na­tureza pecaminosa, é o mistério de DEUS--não DEUS manifesto em carne sem pecado. Isso significa dizer, DEUS habitará em tal medida em nossa carne pecaminosa hoje que embora essa carne seja pecaminosa, sua pecaminosi­dade não será sentida ou reconhecida, nem exercerá influência alguma sobre outros, de que DEUS habitará de tal modo na carne pecaminosa que a despeito de toda a pecaminosidade da carne pecaminosa, Sua influência, Sua glória, Sua justiça, Seu caráter, serão manifestos onde quer que essa pessoa vá.
            Esse foi precisamente o que se deu com JESUS na carne. Assim DEUS tem-nos demonstrado a todos como devemos glorificar a DEUS. Ele tem demonstrado ao universo como o universo deve glorificar a DEUS--ou seja, que DEUS e DEUS somente será manifestado em toda inteligência do universo. Essa foi a intenção de DEUS desde o princípio. Esse foi o Seu propósito, Seu eterno propósito, que Ele propôs em CRISTO JESUS, nosso SENHOR.
            Devemos lê-lo agora. Teremos ocasião de referir-nos a isso posteriormente. Leremos o texto que fala disso numa palavra. Efés. 1:9,10: "Desvendando-nos o mistério a Sua vontade, segundo o Seu beneplácito que propusera em CRISTO". Qual é essa vontade que Ele havia proposto Nele? Ele, sendo o DEUS terno, propondo a Sua vontade Nele, sendo esse o Seu próprio propósito--o mesmo que é referido noutro lugar como o "eterno pro­pósito". Qual é o eterno propósito que Ele propôs em CRISTO JESUS, o SENHOR? Eis aqui: "De fazer convergir Nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da Terra".
            Reconsidere tudo agora e pense em como DEUS "pôde reunir todas as coisas em CRISTO". Quem é Aquele em quem DEUS reúne todas as coisas em CRISTO? Esse é DEUS. Quem estava em CRISTO? "DEUS estava em CRISTO". Ninguém foi manifestado, mas DEUS. DEUS habita em CRISTO. Agora em CRISTO Ele está reunindo "todas as coisas, tanto as do céu como as da Terra". Portanto, o Seu propósito na dispensação da plenitude dos tempos é reunir Nele todas as coisas em CRISTO. Mediante CRISTO, por CRISTO, e em CRISTO, todas as coisas no céu e na Terra são reunidas em um DEUS, de modo que DEUS somente será manifestado por todo o universo, de modo que quando se completar a dispensação dos tempos e o eterno propósito de DEUS se apresente completo diante do universo, aonde quer que olhemos, sobre quem quer que seja que olhemos, veremos a DEUS refletido. Verão todos a imagem de DEUS refletida. E DEUS será "tudo em todos". É isso que vemos em JESUS CRISTO. 2 Cor. 4:6: "Porque DEUS que disse: 'De trevas resplandecerá luz'--, Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conheci­mento da glória de DEUS na face de CRISTO".
            Contemplamos a face de JESUS CRISTO. O que vemos? Vemos a DEUS. Não vemos a CRISTO refletido na face de JESUS CRISTO. Ele esvaziou-Se para que DEUS pudesse ser refletido, para que DEUS pudesse brilhar à vista do homem que não poderia suportar a Sua presença em carne humana. JESUS CRISTO assumiu a carne do homem que, como um véu, modificou de tal modo os raios da glória divina a fim de que pudéssemos ver e viver. Não podemos olhar para a face desvelada de DEUS na mesma maneira em que os filhos de Israel não podiam contem­plar a face de Moisés. Portanto, JESUS reúne em Si mesmo a carne humana e recobre a glória refulgente e consu­midora do PAI, de modo que nós, olhando para Sua face, podemos ver a DEUS refletido e podemos vê-Lo e amá-Lo tal como Ele é e assim ter a vida que há Nele.
            Esse pensamento é observado em 2 Cor. 3:18. Irei mencionar por alto o versículo neste momento. Tere­mos ocasião de referir-nos a ele novamente antes de concluirmos a lição. "E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do SENHOR"--onde contemplamos a glória do SENHOR? Na "Sua própria imagem". Mas é dito aqui que contemplamos como num espelho. Para que serve um espelho? Um espelho não fornece luz de si mesmo. Um espelho reflete a luz que sobre ele cai. Nós todos, com rosto desvendado, contem­plamos na imagem de JESUS CRISTO, como por um espelho, a glória do SENHOR; portanto, CRISTO é Aquele mediante Quem o PAI é refletido para o universo inteiro.
            Ele somente poderia refletir o PAI em Sua plenitude, porque as Suas saídas são desde os dias da eternida­de, e, como é dito no oitavo capítulo de Provérbios, "Eu estava com Ele e era Seu arquiteto". Ele era um de DEUS, igual a DEUS e Sua natureza é a natureza de DEUS. Portanto, uma grande necessidade que Ele somente po­deria vir ao mundo e salvar o homem foi devido a que o PAI desejou manifestar-Se plenamente para os filhos dos homens, e ninguém no universo poderia manifestar o PAI em Sua plenitude, exceto o Filho unigênito, que está na imagem do PAI. Nenhuma criatura poderia fazê-lo por não ser suficientemente grande. Somente Aquele cujas saí­das foram desde os dias da eternidade poderia fazê-lo; conseqüentemente, Ele veio e DEUS habitou Nele. Quanto? "Toda a plenitude da Divindade" é refletida Nele "corporalmente". E isso não é somente para os homens sobre a Terra, mas dá-se a fim de que na dispensação da plenitude dos tempos Ele pudesse reunir num--em CRISTO--todas as coisas que estão no céu e sobre a Terra. Em CRISTO DEUS é manifestado aos anjos e refletido aos homens no mundo dum modo em que não podem ver a DEUS diferentemente.
            Assim, pois, temos tanto a aprender a respeito do que significa glorificar a DEUS e sobre como isso é fei­to. Significa ser tão esvaziado do eu que DEUS somente será manifestado em Sua justiça, Seu caráter, que é a Sua glória. Em CRISTO é revelado o propósito do PAI com respeito a nós. Tudo quanto se deu em CRISTO foi revelar o que será feito em nós, pois Ele foi a nós próprios. Portanto, devemos constantemente ter em mente o grande pen­samento de que devemos glorificar a DEUS sobre a Terra.
            Nele e por Ele descobrimos aquela mente divina que em CRISTO Se esvaziou de Sua justa personalidade. Por essa mente divina, nossa injustiça é esvaziada, a fim de que DEUS possa ser glorificado em nós e se faça ver­dade em nós Suas palavras "glorifiquei a Ti sobre a Terra".
            Leiamos aqueles dois versos em Coríntios agora para nosso próprio benefício: Há pouco os lemos da perspectiva divina. "Porque DEUS que disse: 'De trevas resplandecerá luz'--, Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de DEUS na face de CRISTO". 2 Cor. 4:6. Olhemos para nós agora. O que, em primeiro lugar, DEUS realizou? Resplandeceu em nossos corações. Para quê? "Para iluminação do conhecimento da glória de DEUS na face de CRISTO". Percebem, pois, que DEUS em JESUS CRISTO está Se mani­festando, revelando-Se da face de CRISTO Sua glória a qual, refletida em nós, refulge também para outros? Portan­to, "vós sois a luz do mundo". Somos a luz do mundo porque a luz da glória de DEUS, resplendendo a partir de JESUS CRISTO em nossos corações, se reflete aos outros, de modo que as pessoas nos vendo, vêem as nossas boas obras e podem glorificar a DEUS no "dia da visitação". "Possam glorificar ao PAI que está nos céus".
            Estudem o processo. Lá está o PAI, habitando na luz de que nenhum homem pode aproximar-se, que nenhum homem jamais viu, nem pode ver, de tão transcendente glória, de tão consumidor fulgor de santidade, que nenhum homem poderia contemplar e viver. Mas o PAI deseja que olhemos para Ele e vivamos. Portanto, o unigênito do PAI submeteu-Se livremente como o dom e tornou-se como nós na carne humana a fim de que o PAI Nele pudesse velar de tal modo a Sua glória consumidora e os raios de Seu fulgor, de maneira que pudéssemos ver e viver. E quando olhamos para ali e vivemos, esse brilho, essa glória fulgurante da face de JESUS CRISTO refle­te-se em nossos corações e é transmitida para o mundo.
            Agora, o último verso do terceiro capítulo novamente: "E todos nós com o rosto desvendado, contem­plando, como por espelho, a glória do SENHOR, somos transformados de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo SENHOR, o Espírito". A imagem de quem? A imagem de JESUS CRISTO. Somos "transformados de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo SENHOR, o Espírito". JESUS CRISTO refletia a imagem de DEUS; nós, mudados na mesma imagem, refletiremos a imagem de DEUS.
            A versão alemã oferece outro texto, ainda mais enfático do que o nosso aqui. Lerei o equivalente no in­glês: "Mas agora está refletido em nós toda a glória do SENHOR". Percebem? "Mas agora em nós todos está refleti­da a glória do SENHOR". A idéia em nossa versão inglesa e esta idéia no alemão são ambas corretas. Vemos na face de CRISTO a glória e somos mudados na mesma imagem de glória em glória, e então há também refletida em nós a glória do SENHOR.
            Agora lerei o resto do versículo no alemão: "Mas agora está refletida em nós todos a glória do SENHOR com face descoberta e somos glorificados na mesma imagem de uma glória a outra como de parte do SENHOR, que é o Espírito". O SENHOR que é o Espírito; o verso precedente declarou que o SENHOR é esse Espírito.
            Assim, podem ver que o sentido todo é que DEUS será glorificado em nós, para que sejamos glorificados por essa glória e que isso pode ser refletido a todos os homens por toda parte a fim de que possam crer em DEUS e glorificá-Lo.
            Observem agora novamente o capítulo décimo sétimo de João. Traz o mesmo relato ali em João 17:22. Lerei novamente os versos 4 e 5:
            "Eu Te glorifiquei na Terra, consumando a obra que Me confiaste para fazer; e agora, glorifica-Me, ó PAI, contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo".
            Agora, o verso 22: "Eu lhes tenho transmitido a glória que Me tens dado"'. Ele no-la tem dado. Portan­to, ela nos pertence. Essa glória pertence ao crente em JESUS. E quando nos submetemos a Ele, Ele nos concede aquela mente divina que nos esvazia e então DEUS em JESUS CRISTO resplandece em nossos corações do qual é refle­tida a Sua própria glória, Sua própria imagem divina. E isso será tão perfeitamente cumprido que quando Ele vem a todo crente sobre o qual lança os olhos, verá a Si próprio. "Ele Se assentará como um ourives e purificador de prata". Ele Se vê a Si próprio refletido em Seu povo de modo que todos reflitam a imagem e glória de DEUS.
            Empreguemos coisas naturais a fim de que possamos, se possível, ver isto de modo mais claro. Ali está o sol brilhando no céu. Você e eu gostaríamos de olhar ao sol e vê-lo como ele é. Mas mesmo um relance ofusca de tal modo os nossos olhos que leva um tempo para recuperarem sua força natural. Assim, não podemos olhar ao sol para contemplar as glórias que lá estão. O sol possui glórias e belezas ao brilhar nos céus. Agora, se se vale­rem de um prisma--um de três faces, três pedaços de vidro em ângulo agudo--e o submeterem à luz solar de modo que os raios do sol brilhem através dele, verão refletidos sobre a parede, sobre o terreno, ou onde quer que possa cair o reflexo--em tal reflexo verão o sol tal como é. Mas o que observarão? Como se chama aquilo? Um arco-í­ris. E o que é mais belo do que um arco-íris? Não podem ter um mais maravilhoso conjunto de cores do que no arco-íris, mas esse arco-íris é simplesmente o sol, com sua glória tão distribuída que podemos olhá-lo diretamente e ver quão bonito é. Olhamos adiante. Toda essa glória ali está, mas não podemos vê-la ali. Não podemos vê-la em face do sol. O sol é por demais fulgurante. Nossos olhos não estão acostumados à luz. Não podemos suportá-la. Portanto, o prisma toma essa glória e faz com que brilhe com raios tais que possamos olhá-la. E isso nos capa­cita a ver o sol como não poderíamos fazê-lo doutro modo. Contudo, quando olhamos o arco-íris, estamos somen­te olhando o sol. Olhando o arco-íris simplesmente vemos a glória que há no sol segundo brilha no céu. Contem­plando a face aberta do sol não podemos vê-lo como é. Mas encarando o reflexo, vemos a glória do sol numa forma que nos deleita fazê-lo.
            Agora, DEUS sempre é tão mais brilhante do que o sol. Se o sol ofusca os nossos olhos por um mero re­lance, o que faz a glória transcendente do SENHOR sobre nossos olhos mortais e pecaminosos? Ele nos consumiria. Portanto, não podemos contemplá-Lo tal como é em Sua glória desvelada e não alterada. Nossa natureza não tem condições de suportá-la. Mas Ele deseja que vejamos a Sua glória. Deseja que todo o universo contemple a Sua glória. Portanto, JESUS CRISTO colocou-Se aqui entre o PAI e nós, e o PAI faz com que toda a Sua glória seja Nele manifesta, e assim como resplandece de sua face, a glória é distribuída de tal forma, tão modificada, que podemos olhá-la, e é tornada tão bela que nos deleitamos nela. Então somos capacitados a ver a DEUS como Ele é. Em JESUS CRISTO nada vemos que não seja de DEUS no pleno fulgor de Sua glória desvelada.
            Agora o sol refulge nos céus naturais dia após dia e todas essas glórias Ele torna conhecidas aos filhos dos homens e lugares diante dos filhos dos homens. Tudo quanto o sol precisa a fim de conservar suas glórias sempre perante nós dessa bela maneira é um prisma--um meio mediante o qual brilhar para a refração de Sua gló­ria, e algo sobre que esses raios caiam para refletirem após terem passado pelo prisma. Poderiam ter um arco-íris todo dia do ano se tivessem um prisma e algo sobre que os raios refratados pudessem ser mostrados.
            Assim também podem ter a glória de DEUS manifesta cada dia do ano, se apenas mantiverem a JESUS CRISTO perante os olhos como um bendito prisma para refratar os brilhantes raios da glória de DEUS e a si próprio apresentado a DEUS tal como DEUS gostaria que esses raios refratados se fizessem visíveis no reflexo. Então, não somente você, mas outras pessoas constantemente verão a glória de DEUS. Tudo quanto DEUS deseja, tudo quanto Ele necessita, a fim de que o homem veja e conheça a Sua glória é um prisma mediante o qual brilhar. Em JESUS CRISTO isso é concedido de modo completo. A seguir Ele deseja algo sobre que esses raios refratados possam re­pousar e ser refletidos, para que as pessoas possam vê-los. Permitirão que ali fique, aberto aos refratados raios da glória de DEUS, ao brilharem mediante esse bendito prisma que é CRISTO JESUS? Que esses raios da glória de DEUS caiam sobre vocês a fim de que os homens olhando ali possam ver refletida a glória de DEUS. É isso que se deseja.
            Outro pensamento: Tome o seu prisma e segure-o contra o sol. Os raios refratados de luz caem sobre a parede da casa e observem no reflexo o belo arco-íris! Mas esse muro rebocado é apenas barro. Pode esse barro manifestar a glória do sol? Pode o sol ser glorificado por esse barro? Sim. Certamente. Pode esse barro refletir os brilhantes raios do sol de modo que seja belo? Como pode o barro fazê-lo? Oh, não está no barro. Está na glória. Podem segurar o prisma contra o sol e deixar que os raios refratados caiam sobre a Terra. Podem mantê-lo ali, e para que a Terra possa manifestar a glória do sol, não porque a Terra tenha qualquer glória, mas devido à glória do sol.
            É demais, portanto, que pensemos que a carne pecaminosa, tal como a nossa, indignos pó e cinzas, como somos--é demais pensar que indivíduos como nós possam manifestar a glória do SENHOR, refratada mediante JESUS CRISTO--a glória do SENHOR refulgindo da face de JESUS CRISTO? Pode dar-se que vocês são barro; pode dar-se que sejam os mais baixos sobre a Terra; pode dar-se que sejam pecadores como qualquer homem o é, mas simples­mente ponham-se ali e permitam que a glória refulja sobre vocês como DEUS gostaria que ocorresse e então glori­ficarão a DEUS. Oh, quão freqüentemente a desencorajadora pergunta é formulada: "Como pode alguém como eu glorificar a DEUS?" A virtude não está em nós, está na glória. Isso é o que significa glorificar a DEUS.
            Requer o esvaziamento do eu a fim de que DEUS em CRISTO possa ser glorificado. A mente de CRISTO faz isso, e assim DEUS é glorificado. Conquanto tenhamos sido pecadores por toda a nossa existência e nossa carne seja pecaminosa, DEUS é glorificado, não pelo mérito que existe em nós, mas pelo mérito que há na glória. E é esse o propósito pelo qual DEUS criou todo ser no universo. É que todo ser seja um meio de refletir e tornar co­nhecido o fulgor da glória do caráter de DEUS como revelado em JESUS CRISTO.
            Muito além, no passado, houve alguém que era tão brilhante e glorioso pela glória do SENHOR que come­çou a dar a si próprio crédito por isso e propôs brilhar por si mesmo. Propôs-se a refletir luz de si mesmo. Mas desde então não tem brilhado com nenhuma luz real. Tudo tem sido trevas desde então. Essa é a origem das tre­vas no universo. E os resultados que disso derivam, desde o início até o último resultado que jamais dele advirá, são simplesmente os resultados daquele esforço para manifestar o eu, para deixar o eu brilhar, para glorificar a si mesmo. E o fim disso é que tudo perece e termina em nada.
            Glorificar o eu é terminar em nada, deixar de existir. Glorificar a DEUS é continuar eternamente. A razão por que Ele faz as pessoas é para que O glorifiquem. Aquele que O glorifica não pode senão viver por toda a e­ternidade. DEUS deseja seres tais no universo. A questão para todo homem de fato será: "Ser ou não ser; essa é a questão". Decidiremos ser, e ser um meio de glorificar a DEUS por toda a eternidade? Ou decidiremos glorificar o eu por um pequeno tempo e isso somente em trevas, e então partir para a escuridão eterna? Oh, em vista do que DEUS realizou, não é difícil decidir que escolha deve ser feita. Não é difícil decidir. Então não será nossa escolha agora e para sempre escolher somente a maneira de DEUS? Decidir glorificá-Lo e a Ele somente?
            Agora, outra palavra quanto a que isso implica. Eis aqui uma passagem em João 12:23:
            "Respondeu-lhes JESUS: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem".
            Daí, novamente, no verso 27:
            "Agora está angustiada a Minha alma, e que direi Eu? PAI, salva-Me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora".
            O que, então, Ele disse? "PAI, glorifica o Teu nome". Ali estava Ele, à sombra do Getsêmani. Sabia que era vinda a hora e também compreendia o que aquilo representava. Ali estava aquela angústia pressionando a Sua alma divina e levando-O a dizer: "Que direi Eu? PAI, salva-Me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora". A única coisa, pois, que havia a dizer, ao chegar Ele àquela hora para tal propósito, a única coisa que pôde dizer foi: "PAI, glorifica o Teu nome". Após isso deu-se o Getsêmani, a cruz e a morte. Mas nessa submissão, "PAI, glorifica o Teu nome", estava tomado o passo que deu-Lhe vitória no Getsêmani e sobre a cruz, e sobre a morte.
            Houve Sua vitória e você e eu iremos àquele lugar muitas vezes. Temos estado já naquele lugar--onde vem um tempo em que sobre mim pode ser feita essa exigência. Essa experiência tem de ser enfrentada e conside­rando-a como se apresenta e como a vemos, seremos tentados a dizer: "Oh, será necessário que se tenha de supor­tar isso? Não é até mais do que DEUS requer que um homem suporte? "Agora está angustiada a Minha alma, e que direi Eu? PAI, salva-Me desta hora?" Quem O trouxe para essa hora? Que O fez deparar essa dificuldade? Como chegou aí? O PAI está lidando conosco; Ele nos levou até ali. Então, quando sob a Sua mão somos levados ao pon­to em que parece como se custasse a um homem a sua própria alma suportá-lo, o que diremos? PAI, salva-me des­sa hora? Ora, por essa razão vim para esta hora. Ele me trouxe até ali para um propósito. Posso não saber qual é a experiência que Ele tem para mim além dessa; posso não saber qual é a experiência que Ele tem reservado para mim além disso; posso não saber qual é o propósito divino nessa prova, mas de uma coisa sei. Decidi glorificar a DEUS. Decidi que DEUS, em lugar de mim mesmo, será glorificado em mim, que o Seu caminho será encontrado em mim em lugar de meu caminho. Portanto, não podemos dizer, PAI, salva-me dessa hora. A única coisa a fazer é curvar-nos em submissão; a única palavra a dizer é, PAI, glorifica o Teu nome. O Getsêmani pode seguir-se imediatamente. A cruz certamente seguir-se-á, mas é a vitória nesse Getsêmani. É a vitória sobre aquela cruz e sobre tudo que possa vir.
            Isso certamente é verdade porque DEUS não nos deixa sem a palavra. Leia adiante agora.
            O que diremos? PAI, salva-me desta hora? mas por esta causa eu vim para esta hora. PAI, glorifica o Teu nome. Então veio uma voz do céu, dizendo: "Tenho-O glorificado e O glorificarei novamente".
            Essa palavra é para vocês e para mim em toda provação, porque "a glória que Me deste, Eu lhes dei". A nós pertence. Ele verá que é refletida sobre nós e mediante nós a fim de que os homens saibam que DEUS é ainda manifesto na carne. Qual, então, será a nossa escolha? Que isso seja determinado de uma vez por todas. É, ser, ou não ser? O que escolheremos? Ser? Mas ser significa glorificar a DEUS. O único propósito da existência no universo é glorificar a DEUS. Portanto, a escolha por ser é a escolha de glorificar a DEUS e a escolha de glorificar a DEUS é a escolha de que o eu seja esvaziado e perdido, e DEUS somente apareça e seja visto.
            Então, quando tudo for realizado, o capítulo 15 de I Coríntios oferece a grande consumação. Versos 24 a 28:
            "E então virá o fim, quando Ele entregar o reino ao DEUS e PAI, quando houver destruído todo principa­do, bem como toda potestade e poder. Porque convém que Ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos Seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos Seus pés. E quando diz que todas as coisas Lhe estão sujeitas, certamente exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas Lhe estiverem sujeitas, então o próprio Filho também Se sujeitará àquele que todas as coi­sas Lhe sujeitou, para que DEUS seja tudo em todos".
            Tudo em quantos? Ele será tudo em mim; Ele será tudo em vocês; Ele será tudo em todos mediante JESUS CRISTO. Ali vemos o plano completo--de que o universo inteiro e tudo nele reflita a DEUS.
            Este é o privilégio que DEUS estabeleceu perante todo ser humano. É o privilégio que Ele estabeleceu perante toda criatura no universo. Lúcifer e multidões delas que com ele foram recusaram-na. Os homens a recu­saram. O que eu e você faremos? Aceitaremos o privilégio?
            Vejamos se podemos obter alguma idéia da medida desse privilégio. O que custou trazer esse privilégio a vocês e a mim? Quanto custou? Custou o infinito preço do Filho de DEUS.
            Agora, a pergunta: Foi esse um dom de somente trinta e três anos? Em outras palavras, tendo consistido em eternidade até que Ele veio a este mundo, veio JESUS então a este mundo como o fez por somente trinta e três anos, e então retornou ao que era antes, para consistir em todos os aspectos como era antes através da eternidade vindoura? E assim o Seu sacrifício será praticamente por somente trinta e três anos? Foi aquele um sacrifício por somente trinta e três anos? Ou foi um sacrifício eterno? Quando JESUS CRISTO deixou os céus, Ele Se esvaziou e mergulhou em nós--por quanto tempo foi isso? Esta é a questão. E a resposta é que isso foi por toda a eternidade. O PAI renunciou a Seu Filho por nós, e CRISTO entregou-Se por toda a eternidade. Nunca outra vez será Ele em todos os respeito como foi antes. Ele entregou a Sua vida por nós.
            Agora, não me empenho em definir isso. Simplesmente lerei uma palavra sobre isso do ESPÍRITO de Pro­fecia para que saibam ser um fato e para que saibam que não estamos sobre terreno seguro, e então a acatemos como a verdade bendita e deixemos a sua explicação com DEUS e a eternidade. Eis aqui a palavra:
            "Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito". Ele O deu não apenas para habitar entre os homens, para suportar os seus pecados e morrer o sacrifício deles; deu-O à raça caída. CRISTO devia identificar-Se com os interesses e necessidades da raça humana. Aquele que é um com DEUS ligou-Se com os filhos dos homens por laços que nunca devem ser desfeitos.
            Em que ponto ligou-Se conosco? Em nossa carne, em nossa natureza. Em que medida uniu-Se a nós? "Por laços que nunca serão desfeitos". Graças a DEUS! Então Ele renunciou à natureza de DEUS, que tivera com DEUS antes que o mundo existisse, e assumiu a nossa natureza, e carrega a nossa natureza para todo o sempre. Esse é o sacrifício que ganha os corações dos homens. Fosse isso considerado, como muitos realmente o conside­ram, que o sacrifício de CRISTO somente perdurou por trinta e três anos e então morreu a morte da cruz e voltou para a eternidade em todos os aspectos como fora antes, os homens poderiam argumentar que em vista da eterni­dade anterior, e a eternidade posterior, trinta e três anos não é um sacrifício tão infinito, afinal de contas. Mas quando consideramos que Ele mergulhou Sua natureza em nossa natureza humana por toda a eternidade, esse é um sugestivo sacrifício. Esse é o amor de DEUS. E nenhum coração pode argumentar contra isso. Não há coração neste mundo que possa arrazoar contra esse fato. Aceite-o ou não o coração, creia nisso ou não o homem, há um poder compulsivo nesse fato, e o coração deve permanecer em silêncio ante a presença da tremendo realidade.
            Esse é o sacrifício que Ele fez, e prossigo lendo:
            "Aquele que é um com DEUS ligou-Se com os filhos dos homens por laços que nunca serão desfeitos". JESUS não se envergonha "de chamá-los irmãos"; nosso Sacrifício, nosso Advogado, nosso Irmão, carregando nos­sa forma perante o trono do PAI e por eras eternas, um com a raça que redimiu--o Filho do homem.
            Isto é o que custa: O eterno sacrifício Daquele que era um com DEUS. É isso que custa levar aos homens o privilégio de glorificar a DEUS.
            Agora, outra questão: Foi o privilégio ali digno do sacrifício? Ou foi o preço pago para criar o privilé­gio? Por favor, pense nisso cuidadosamente. Qual é o privilégio? Temos descoberto que o privilégio trazido a toda alma é glorificar a DEUS. O que custou trazer-nos tal privilégio? Custou o sacrifício infinito do Filho de DEUS. Agora, fez Ele o sacrifício para criar o privilégio, ou estava ali o privilégio e valeu o sacrifício?
            Vejo ser esta uma nova reflexão para muitos de vocês, mas não a temam. Está correta. Por favor, consi­dere-a cuidadosamente e pensem. Isso é tudo quanto se faz necessário. Repetirei, até duas ou três vezes, se neces­sário, pois vale plenamente a pena o fazê-lo. Desde que esse bendito fato veio até mim, o sacrifício eterno do Fi­lho de DEUS representa um sacrifício eterno inteiramente por mim, a palavra tem estado sobre minha mente quase incessantemente: "Andarei mansamente perante o SENHOR todos os meus dias".
            A questão é, Ele criou o privilégio por fazer o sacrifício? Ou estava já ali o privilégio e o perdemos, e valeu a pena o sacrifício que  Ele fez para no-lo trazer outra vez?
            Então, quem pode avaliar o privilégio que DEUS nos dá no bendito privilégio de glorificá-Lo? Nenhuma mente o poderá entender. Para que valha a pena o sacrifício pago por Ele -- um sacrifício eterno -- Oh, não fez bem Davi quando exclamou: "SENHOR. . . tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; é sobremodo eleva­do, não o posso atingir"?
            "Grande é o mistério da piedade; pois DEUS foi manifesto em carne". O Filho do homem recebido em glória significa nós próprios. E nisso Ele nos trouxe o infinito privilégio de glorificar a DEUS. Isso valeu o preço que foi pago. Jamais poderíamos ter imaginado que o privilégio fosse tão imenso. Mas DEUS contemplou o privi­légio, JESUS CRISTO contemplou o privilégio do que é glorificar a DEUS. E contemplar isso e ver onde fomos, foi dito que valeu a pena o preço. CRISTO declarou: "Eu pagarei o preço". "Porque DEUS amou o mundo de tal manei­ra que deu o Seu Filho unigênito", e assim trouxe-nos o privilégio de glorificar a DEUS.

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